terça-feira, 31 de outubro de 2017

Dia das Bruxas, o Halloween


Origem pagã

A tradição do halloween surgiu com os povos celtas e druidas, os celtas comemoravam essa data no festival de Samhaim, no século V a.C. para agradecer as boas colheitas e porque acreditavam que nesse dia, que marcava o início do ano céltico, os espíritos desencarnados de todos aqueles que morreram no decorrer do ano, voltavam na busca de corpos de pessoas vivas nas quais eles habitariam durante o ano que se iniciava. 

Acreditava-se que essa era a única esperança de vida após a morte. Naturalmente, os que estavam vivos não queriam ser possuídos pelos espíritos dos mortos. Então, na noite de 31 de outubro, os habitantes dos vilarejos apagavam os fogos em suas casas, para torná-las frias e indesejáveis. Eles então se vestiam com roupas fantasmagóricas e realizavam desfiles barulhentos pela vizinhança, sendo tão destrutivos quanto possível, de maneira a assustar e amedrontar os espíritos que estavam a procura de corpos.

Os druidas, antigos sacerdotes de Gália e da Bretanha, também colaboraram para o Halloween se tornar uma comemoração tradicional., a noite eles acendiam uma grande fogueira no topo das colinas e pintavam o corpo para observar as chamas e contar suas experiências para celebrar o final do verão. A fogueira também era acesa porque eles achavam que suas chamas poderiam ajudar o sol durante o inverno.

A origem pagã do "dia das bruxas" tem a ver com a celebração celta chamada do Samhain, cujo objetivo dar culto aos mortos e à deusa YuuByeol (símbolo antigo da perfeição celta). A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 A.C.) acabou unindo a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou diminuindo com o tempo.


Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas já tinha desaparecido na maioria das comunidades e pouco se sabe ela devido a falta de textos escritos, tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe-se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de novembro (a meio caminho entre o equinócio de outono e o solstício de inverno, no hemisfério norte. Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e iniciavam o ano novo celta.

A "festa dos mortos" era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para os cristãos seriam "o céu e a terra" (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. As festas eram presididas pelos sacerdotes druidas, que atuavam como mediadores entre as pessoas e os seus antepassados. Acreditava-se que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.


O cristianismo e a festa pagã

Quando o cristianismo substituiu as religiões pagãs, as igrejas aproveitaram o dia 31 de outubro para homenagear todos os Santos. Já a noite anterior foi utilizada como dia oficial para se opor os fantasmas. A partir do final do século XVIII e XIX, a véspera do dia de todos os Santos se transformou, em alguns países num dia festivo, celebrado com trajes de fantasia, lanterna e jogos.

Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar "Todos os Mártires". Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV († 615) transformou um templo romano dedicado a todos os deuses (Panteão) num templo cristão e o dedicou a "Todos os Santos", a todos os que nos precederam na fé. A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas o Papa Gregório III († 741) mudou a data para 1 de novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse celebrada universalmente.

Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e "All Hallow Een" até chegar à palavra atual "Halloween". "Hallowed" é uma palavra do Inglês antigo que significa "santo", e "e'en" também de origem inglesa significa "noite", então o significado é "Noite Santa" ou "All Hallows Eve", "Noite de Todos os Santos".

Doces ou Travessuras

Acreditava-se na cultura celta que para se apaziguar espíritos malignos, era necessário deixar comida para eles. Esta prática foi transformada com o tempo e os mendigos passaram a pedir comida em troca de orações por membros mortos da família. Também neste contexto, havia na Irlanda a tradição, que um homem conduzia uma procissão para angariar oferendas de agricultores, a fim de que suas colheitas não fossem amaldiçoadas por demônios. Uma espécie de chantagem, que daí deu origem ao "travessuras ou doces" (trick or treat).

Anteriormente, o Halloween era considerado uma noite de medo, na qual homens sensatos respeitavam os duendes e os demônios. Hoje, esse dia nada mais é do que uma grande diversão, onde crianças e adultos se fantasiam de vampiros, múmias e fantasmas e saem às ruas festejando.

Símbolos e tradições do dia das bruxas:

Cada símbolo possui seu significado no dia das bruxas, Abóboras laranjas, velas, gatos pretos, vassouras, maçãs, morcegos e as próprias bruxas são símbolos que remetem ao Halloween. Uma das maiores tradições são as crianças que se fantasiam e saem de porta em porta dizendo: “Doces ou travessuras” (trick or treat, em inglês). Caso elas não recebam doces, tem permissão para pregar uma peça.

O gato preto tem uma ligação direta às bruxas, pois os povos antigos acreditavam que elas se transformavam no pequeno animal. Existe também a lenda de que eles são símbolos do mal e azar. A vassoura é o objeto usado para limpar toda a energia ruim, o morcego representa o olhar além das formas e aparências. Por fim, outro ícone do Halloween são as maças, fruta associada aos deuses do amor. Simbolizam a vida na festa de dia das bruxas (cortada ao meio, a parte interna apresenta o desenho de um pentagrama).

As abóboras e as velas derivam da lenda de um homem chamado Jack. De acordo com os contos, ele gostava muito de beber e sempre humilhava o diabo, até que em um determinado dia acabou morrendo. Porém, ele não pode entrar no céu e nem no inferno, sua alma ficou presa sem uma luz no fim do túnel. Por isso as velas eram colocadas dentro de nabos ocos, pelos celtas, para que Jack conseguisse fugir da escuridão.

A lenda de Jack O' Lantern

Jack O’ Lantern é um dos principais símbolos do Halloween, reza a lenda celta Irlandesa que foi um homem muito mal e perverso que enganou o diabo e foi condenado a vagar eternamente pela terra, segue a lenda:

Um homem chamado Jack, era alcoólatra e grosseiro que vivia maltratando as pessoas bebeu excessivamente em uma noite de 31 de Outubro (Halloween), e viu o Diabo, que veio buscar sua alma para levá-la para o inferno, Jack desesperado implora por mais um copo de bebida. 

Depois de concedido pelo Diabo o ultimo copo de bebida, Jack bebe e pede para o Diabo se transformar em uma moeda, pois disse que não tinha dinheiro para pagar o ultimo trago, o Diabo se transforma em moeda e assim que cai em cima da mesa, Jack o guarda dentro de sua carteira que tem um fecho em formato de cruz. 

O Diabo implora para Jack o deixar sair, pois esta com os poderes anulados pela cruz, até que fazem um trato, Jack o liberta se o Diabo lhe conceder mais um ano de vida. Jack resolve mudar seu jeito de agir, e começa a tratar todos em sua volta bem, ir à igreja, e faz até caridade.

Com o passar do tempo, no dia 31 de Outubro o Diabo aparece novamente, e avisa que irá levar a sua alma, mas Jack esperto o convence a pegar uma maçã em cima de uma arvore, pois não conseguia subir, em cada tentativa Jack caia, o Diabo se transformou em um corvo e voou para a arvore, quando estava no primeiro galho, Jack riscou com uma faca uma cruz no tronco da macieira, e mais uma vez o Diabo ficou preso.

Jack o ordena a nunca mais vir buscar sua alma, e assim, solta o demônio.

Com o passar dos anos, Jack morreu decapitado, tentou entrar no céu, mas sua entrada não foi concedida, então foi para o inferno, mas Satã, ainda humilhado com os fatos ocorridos no passado também negou sua entrada no inferno, sentindo pena de Jack, jogou para ele brasas do inferno para que ele pudesse iluminar o caminho. Jack foi condenado a vagar sem rumo pelo Limbo, colocando as brasas dentro de um Nabo.

Na Irlanda, onde a lenda surgiu, originalmente eram usados Nabos para se fazer as lanternas do Halloween, conhecidas como Jack O’ Lantern, mas com a imigração dos povos europeus para America, acharam as aboboras mais abundantes nos EUA do que os Nabos, e passaram a usá-las até hoje como um símbolo da data.

Fontes: