domingo, 3 de setembro de 2017

Maeve, a Deusa guerreira


Eu sou uma Guerreira de Coração
Sou a Rainha dos domínios de mim mesma
Venha até mim e caminharemos juntas
Atravessando córregos
Abrindo as portas dos mistérios e dos sonhos
Longe das estradas, dançando com as fadas
Vamos seguir por caminhos iluminados
Pegue minha mão agora e
Mantenha-a bem apertada
Liberte seu coração selvagem
Cante e dance por puro prazer
Primeiro deve conhecer-se
Para depois ser responsável e tornar-se
A Rainha em seus próprios domínios
Pois só se interioriza
O que se possui e se reconhece.

Das figuras femininas da Irlanda, Maeve é a mais espetacular. Ela era a deusa soberana da Terra com seu centro místico em Tara. Com o passar do tempo a cultura irlandesa mudou sob a influência cristã e então, Maeve foi reduzida a uma mera rainha mortal. Mas nenhuma mortal poderia ter sido como ela, "intoxicante", uma mulher "embriagante", sedutora, que corria com os cavalos, conversava com os pássaros e levava os homens ao ardor de desejo com um mero olhar.


Maeve, segundo a lenda, era uma das cinco filhas de Eochardh Feidhleach, ei de Connacht, uma mulher muito bela e forte, dotada de uma mente brilhante, estrategista hábil, talhada para enfrentar todo o tipo de batalhas. Era muito segura de sua feminilidade e sexualidade. Diziam que possuía um apetite sexual voraz, mas é um erro vê-la como inconveniente e lasciva que utilizava a satisfação sexual com a finalidade de ganho egoístico. Ela ofertava aos seus consortes uma taça de vinho vermelho como seu sangue. O vinho de Meave representava o sangue menstrual que era considerado como "o vinho da sabedoria das mulheres". O Festival Pagão de Mabon era comemorado em sua honra. Durante estas festividades, aqueles que almejassem ser rei, aguardavam que Meave os convidasse à beber de seu vinho. Isto assegurava de que o homem para
ser rei, necessitava ser versado no feminismo e nos mistérios das mulheres.


Maeve foi considerada a deusa da guerra similar a Morrigan, fez que seus guerreiros
experimentassem as dores do parto de uma mulher.

Ela é a Rainha de Connacht, simboliza o poder feminino e é a personificação da própria Terra e sua prosperidade.
Shakespeare a trouxe à vida como Mab, a Rainha das Fadas. Em uma versão mais moderna, os ecologistas a converteram em Gaia, o espírito da Terra.



Na Antiguidade Celta, as mulheres se equiparavam aos homens. Possuíam propriedades e ocupavam posições de prestígio dentro da sociedade. Também não existia a monogamia nas uniões. A rainha Maeve do reino irlandês de Conaught era
famosa por sua beleza e possessão sexual. Teve muitos amantes, a maioria eram oficiais de seu exército, o que assegurou de algum modo a lealdade de suas tropas. Muitos homens lutavam duramente nos campos de batalha por uma possibilidade de receber seus favores sexuais.

Maeve é figura central de um épico irlandês "Tain Bo Cuillaigne".

O primeiro marido de Meve, foi justamente o seu rival mais constante, o rei Conchobor Mac Nessa. Maeve foi-lhe dada em casamento como compesação pela morte de seu pai, mas para provar sua independência, ela o abandona. Conchobor, insatisfeito, encontra Maeve banhando-se no rio Boyne e a estupra. Em decorrência do fato, os reis da Irlanda se unem para vingar o ultraje. Nesta batalha, perde a vida Tinne, o então marido de Maeve.

A rainha de Connacht está sem rei, e por isso os nobres se reúnem e indicam Eochaid Dala para ser seu novo marido. Ela consente, desde que o marido não seja nem ciumento, nem covarde, nem avarento.
Certo dia, Maeve adota um garoto, o qual passa a integrar sua corte. Com o tempo o tal garoto crece, tornar-se um hábil guerreiro e óbviamente, torna-se seu amante. Eochaid não aceita bem a situação, assim como os nobres de Connacht, que tentam expulsar o rapaz da corte. Maeve consegue impedir e o jovem desafia o rei para um combate. Por ser um grande guerreiro, acabou matando o rei e assumindo o trono ao lado de Maeve. Esse é Ailill, seu marido mais
importante, protagonista da nossa história...

A BATALHA DAS RESES DE GOOLEY

Maeve estava casada com seu terceiro marido o rei Ailill. Em uma certa noite, na cama, ela discute com o rei sobre quem é o mais rico, uma vez que, segundo o costume celta, o mais rico numa parceria é o soberano.
Ailill vence, porque possuía um touro branco mágico. Furiosa, Maeve decide então, roubar para si um touro vermelho mágico. O dono do preterido touro era Cu-Chulainn, que se recusava a vendê-lo. Maeve declara guerra de toda a Irlanda contra o rei e a rainha de Ulster, enquanto que Alil estabelece uma quantia de recompensa pelo
tal touro.

Diversas batalhas foram travadas e muito sangue foi derramado, mas Maeve acaba conseguindo seu intento. Entretanto, quando o touro vermelho de Maeve e o touro branco de Ailill encontram-se, os dois se enfrentam e matam-se.

Como podemos observar, o objetivo principal de Maeve era o touro, que desde a mais remota Antigüidade é um símbolo feminino, encontrado nas culturas ancestrais de Creta do Egito e da Anatólia.

O touro antes de tudo, evoca a idéia de poder e de ímpeto irresistíveis. Para os celtas ele pode ser também, símbolo da morte violenta dos guerreiros. Na Gália são conhecidas
representações de um touro com três chifres, o qual, sem dúvida, é antigo símbolo guerreiro (o terceiro chifre, seria o equivalente do que, na Irlanda, é chamado "lon laith" ou "lua do herói", que é uma espécie de aura sangreta, jorrando do alto da cabeça do herói em estado de excitação guerreira). O touro é ainda, representação da força temporal, sexual, a fecundidade da natureza.

Portanto, não é por acaso, que o segundo signo do zodíaco, o Touro, é governado por Vênus, simbolizando a força de trabalho e encarnando os instintos, especialmente os da conservação, da sexualidade e de um gosto pronunciado pelos prazeres em geral, particularmente pelos da carne.



MAS O QUE TAL LENDA SIGNIFICA, AFINAL?



Todas as deusas do amor sempre foram associadas à guerra, pois o amor e o ódio, como diz um velho ditado popular, "caminham juntos".
Maeve, como deusa, possui o poder intoxicante da paixão que nós sentimos no amor, nos desejos, no sexo, assim como na raiva e na guerra. Sempre existiu uma linha tênue entre o amor e o ódio, o sexo e a violência. Se nós perdermos o controle da paixão, motivados pela ganância, o poder, ou outro tipo de sentimento mesquinho, fatalmente
acabaremos cruzando esta linha. Portanto, mantenha seu coração aberto para o amor, mas freie sua paixão com sabedoria.

Maeve tinha muitos nomes: Mab, Madh, Medh e Medhdb. Há poucas referências dela nos filmes. O mais recente é em Merlim da NBC, onde como a Rainha Mab é uma feiticeira maligna. Não existe uma única referência que comprove que Mab ou
Meave esteve associada as Lendas Arturianas ou envolvida com Artur. Meave foi um mito pagão e também nunca foi uma entidade do mal.

Maeve aparece em nossas vidas para nos desafiar a assumir a responsabilidade pela nossa vida. É hora de sermos a "Rainha de nossos domínios", tornando-nos conscientes dos nossos erros e acertos, sendo responsável por tudo que se faz e por tudo que se acredita.

Existem pontos no seu interior que lhe são desconhecidos? Você é daquelas pessoas que vive uma rotina programada realizando sempre as mesmas coisas? Ou você á daquelas pessoas que para não se incomodar deixa as coisas ficar do jeito que estão? Ou talvez não tenha coragem, ou não esteja disposta a reconhecer que você e sua vida é resultado das escolhas que faz com responsabilidade.

Maeve, aparece para lembrá-la que o caminho da totalidade está em assumir a responsabilidade de sua vida, seja ela do jeito que for. Somente quando você se assumir, reconhecer quem é, onde está, porque está é que poderá criar algo diferente.


Bibliografia Consultada
O Oráculo da Deusa - Amy Sophia Marashinski
Os Mistérios da Mulher - M. Esther Harding
Bruxas e heróis - Eisendrath Young
Os mistérios Celtas - John Sharkey
O Livro da Mitologia Celta - Claudio Crow Quintino
Druidismo Celta - Sirona Knight
Livro Mágico da Lua - D.J. Conway
A Grande Mãe - Erich Neumann
Os Mitos Celtas - Pedro Pablo G. May
Os Mistérios Wiccanos - Raven Grimassi
Foram consultados alguns sites na Internet  

Obtido no Mitos e Deuses