segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Paganismo


 Por Carol

Diversas definições caracterizam o paganismo, sendo a maioria delas muito parecidas e coesas entre si. Mas se tivesse que dar uma definição rápida de acordo com a idéia que eu tenho de paganismo, sem muitos rodeios, diria que é um conjunto de crenças e tradições religiosas pré-cristãs que têm sua origem no campo, na natureza, crenças estas de caráter politeísta, que cultuam a natureza e suas forças como um organismo vivo e
sagrado, sendo suas divindades o reflexo (ou a personificação talvez) de diferentes aspectos da natureza.

O termo pagão origina-se do latim paganus, e refere-se àquele que vive/é no/do pagus, ou seja, no/do campo, na/da natureza. Tal termo foi há muito empregado pelos cristãos romanos para caracterizar e se referir de forma pejorativa aos politeístas em geral. Assim, num contexto histórico, refere-se às tradições politeístas pré-cristãs da Europa, do norte da África e greco-romanas. Trazendo para um contexto mais atual, seu significado abrange ainda algumas religiões contemporâneas, incluindo a maioria das religiões orientais, as tradições indígenas das Américas, da Ásia Central, Austrália e África, e todas as demais religiões não-abraâmicas. 
Algumas características e conceitos fundamentais dão forma à espiritualidade pagã, tais como a origem de suas crenças e divindades que se dá na própria natureza e suas forças, seus fenômenos; o desenvolvimento de uma relação direta e mágica com a natureza sagrada e suas divindades, que é refletida na religiosidade mágica dos pagãos; a não obrigatoriedade da existência de templos destinados aos cultos e práticas pagãs, já que a Terra é sagrada e assim fornece locais sagrados, tais como bosques, rios, cachoeiras, montanhas e etc.;

As comemorações pagãs acontecem concomitantes às mudanças nos ciclos naturais, pois o calendário religioso se confunde com o calendário sazonal e agrícola (baseado no estilo de vida campestre, rural dos antigos pagãos); a noção de ciclicidade do tempo abrindo caminho para a idéia de retorno eterno; a não existência de maniqueísmos (conceitos de pecado, paraíso e inferno, luz e trevas, bem e mal absolutos);  há ainda um profundo respeito aos ancestrais e às tradições, o qual torna as práticas pagãs uma forma também de perpetuação da ancestralidade religiosa, do egrégor ancestral, que é a repetição dos mesmos ritos na mesma época, propiciando uma união mágica com todos os indivíduos que já haviam celebrado em outros tempos; 

Dentro do paganismo não há presença de estruturas padronizadas e dogmas religiosos, ou ainda um livro sagrado, propiciando assim a liberdade de culto; pode ser considerada como uma religiosidade doméstica, familiar, que se dá entre pequenos grupos com laços de sangue ou compromisso, porém, as grandes festividades pagãs ocorrem sempre num âmbito comunitário, relacionando todos os membros da comunidade.

Fiquem em paz, todos vocês..... ;-)
Abraços, Carol