sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Bruxaria e Aprendizado



Refletindo sobre as pessoas que chegam até o caminho da Bruxaria e observando como geralmente vestem o estereótipo padrão do senso comum ao estilo do que vemos em uma certificação ISO-9000 ou similar, por exemplo, e analisando para definir o que leva uma pessoa a ser formatada dentro de certo padrão ou certo estilo, as reflexões conduziram a alguns pontos principais.

Primeiro, vemos como a forma de ensino e de trabalho se modificaram, tanto nas empresas quanto no ensino.

No trabalho antes havia um grande esforço individual para a produção de uma única peça e em seguida novo esforço individual para a produção de outra peça até obter um grande número de peças fabricadas por um só individuo, hoje há a produção de uma única peça através do esforço dividido de inúmeros trabalhadores e obtêm-se grande número de peças mais rapidamente.

Em qualquer empresa que almeje a certificação dentro de alguma norma de qualidade é necessário para essa empresa cumprir alguns requisitos, isso logicamente descaracteriza o trabalho individual em prol da produção final, tomemos como exemplo o seguinte:

Um sapateiro de antigamente era um artesão que produzia sapatos, quanto melhores os sapatos dele mais ele era requisitado, porém cada sapato que o artesão produzia era um produto único, feito do início ao fim pelo mesmo sapateiro que conhecia todas as etapas do processo. Cada sapato produzido carregava a 'identidade' do artesão e era reconhecido a partir de sua qualidade de fabricação que lhe dava seu valor intrínseco, cada sapato e cada produto, portanto era único, era uma obra de arte única feita por um artesão sapateiro que imprimia sua alma ao seu objeto de trabalho;

No decorrer do tempo, era muito provável que este sapateiro passasse os conhecimentos relativos à produção de sapatos geralmente para seu (s) filho (s), ou então para algum outro aprendiz de talento, o qual se tornaria um novo artesão de sapatos.

Mas a vida se tornou mais complexa, e foi necessário produzir muito mais sapatos, então foram criadas as linhas de produção nas fábricas industriais, onde o processo de produção do sapato segue com a sola do sapato sendo depositada em cima da linha de produção por um funcionário, a seguir a linha anda e outro funcionário passa cola, depois outro ainda coloca a parte de cima, outro encaixa a peça, outro põe detalhes e etc;

Para que uma empresa seja certificada dentro de uma norma de qualidade é preciso que a produção final dessa linha siga determinado padrão de normas e regras definidas, assim sendo todos os sapatos ao final da linha de montagem, tem as mesmas características definidas de acordo com uma receita (normas de fabricação) e já pode ser comprovados através de testes e exames se o produto se encontra dentro das normas exigidas pelo mercado e se ele realmente pode ser aprovado e receber um certificado de qualidade (ISO-9000). Desse modo os sapatos trazem impressos em si o estereótipo da empresa onde são fabricados e não mais as características do trabalho do artista de sapatos.

As pessoas nascem tenras, cheias de potenciais individuais e possibilidades interiores peculiares a ser desenvolvidas, no decorrer de seu crescimento e de sua vida as pessoas aprenderão a conhecer e se ambientar ao mundo que as cerca, então elas são encaminhadas para os instrutores nas escolas, onde passam primeiro pelo ensino fundamental, depois o ginásio, colegial, técnico, superior e assim por diante, cada aluno (do grego "a = sem" , "luno = luz") 'sofre' dentro da escola um processo de 'iluminação' que consiste em passar ao aprendiz (ou receber do professor) os conceitos das matérias estudadas de modo que o aluno aprenda e possa comprovar o que aprendeu a através de testes e exames se o ele se encontra dentro das normas exigidas pelo mercado e se ele realmente pode ser aprovado e receber um certificado de qualidade (diploma). Desse modo as potencialidades individuais e possibilidades de desenvolvimento que cada um trás dentro de si, são postas de lado em nome do mercado que exige pessoas especializadas e não artistas da vida.

Citando agora um fato realmente ocorrido, onde pode-se observar como as pessoas têm suas mentes e formas de raciocínios padronizadas através de um ensino acadêmico e de como se esquecem de sua capacidade de pensar e inferir por conta própria:
"Certa vez na empresa onde trabalhava, apareceu um problema no computador da moça da mesa ao lado que trabalhava com o faturamento, ela não conseguia acessar a internet de modo algum, então chamou o setor de informática que ficava no outro prédio da empresa, no outro extremo da cidade, e sucedeu o seguinte:
  • Na segunda-feira chegou um rapaz, olhou o micro, fez desfragmentação do sistema, reiniciou o computador, fez limpeza de disco, reiniciou, passou anti-vírus, reiniciou novamente, e foi embora.
Percebendo que o problema não estava resolvido, a moça chamou novamente o pessoal da informática:
  • Na quarta-feira chegou outro rapaz, olhou o micro, fez desfragmentação do sistema, resetou, fez limpeza de disco, resetou, passou anti-virus, resetou e foi embora.
Percebendo que o problema continuava, a moça chamou novamente os profissionais;
  • Na sexta-feira veio outro rapaz, olhou o micro, fez desfragmentação do sistema, resetou, fez limpeza de disco, resetou, passou anti-virus, resetou e foi embora.
Na segunda-feira seguinte, obviamente revoltada, a moça chamou novamente o setor de informática;
  • Vieram todos os três que já haviam passado por ali e ficaram conversando e tentando achar uma solução, então foram fazer uma reunião numa sala em separado.
Nesse meio tempo a moça falou pra mim que não acreditava que eles fossem dar um jeito e me explicou o problema e me disse para tentar acessar, primeiro tentei abrir o internet explorer e não abria, fiquei observando e vi que tinha uma barra de ferramentas diferente e cheia de figurinhas que a moça mesmo instalara, perguntei pra ela se podia desinstalar, tirei aquela barrinha e pronto, 20 segundos depois a internet já estava conectada e funcionando perfeitamente. 
Quando os tres rapazes retornaram da reunião não tinham mais o que fazer e logo foram embora."
Ficou claro que quando se padroniza um modo de solução de problemas muitas vezes se esquece de prestar atenção nas nuanças particulares de cada problema, aplicando essa reflexão no grupo de Aprendizes nota-se o mesmo "vicio" de pensamento formatado em salas de aula ou em aprendizados anteriores que os deixa com dificuldades na Senda da Bruxaria.

Uma excelente reflexao se encontra nesse texto:

Para um aprendizado de fato é necessário a aceitação dos ensinamentos e compreensão dos mesmos, não somente saber o que fazer, mas também como fazer, sabendo que tudo o que já se aprendeu no caminho até o presente, por mais que sirva de base comparativa para o que se aprende trilhando o caminho da Sabedoria, deve ser analisado de forma diferente do que se aprendeu, é preciso refletir e entender, não somente receber e aceitar.