sexta-feira, 24 de maio de 2013

Na Floresta


Gibran

Na floresta não existe nem rebanho, nem pastor.
Quando o inverno caminha, segue seu distinto curso como faz a primavera.
Os homens nasceram escravos daquele que repudia a submissão.
Se ele um dia se levanta, lhes indica o caminho, com ele caminharão.
Dá-me a flauta e canta! 
O canto é o pasto das mentes. 
E o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor.

 Na floresta não existe ignorante ou sábio.
Quando os ramos se agitam, a ninguém reverenciam.
O saber humano é ilusório como a cerração dos campos
que se esvai quando o sol se levanta no horizonte.
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o melhor saber,  
e o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas.

Na floresta só existe lembrança dos amorosos.
Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram,  
seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos.
Conquistador entre nós é aquele que sabe amar.
Dá-me a flauta e canta!  
E esquece a injustiça do opressor.
Pois o lírio é uma taça para o orvalho e não para o sangue.
Na floresta não há crítico nem sensor.
Se as gazelas se perturbam quando avistam companheiro, a águia não diz: 'Que estranho'.
Sábio entre nós é aquele que julga estranho apenas o que é estranho. 
Ah, dá-me a flauta e canta!  
O canto é a melhor loucura e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais.

Na floresta não existem homens livres ou escravos.
Todas as glórias são vãs como borbulhas na água.
Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro,
não diz: 'Ele é desprezível e eu sou um grande senhor'
Dá-me a flauta e canta!
Que o canto é glória autêntica e o lamento da flauta sobrevive ao nobre e ao vil.


Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade.
Quando o leão ruge não dizem: 'Ele é temível'.
A vontade humana é apenas uma sombra que vagueia no espaço
do pensamento e o direito dos homens fenece como folhas de outono.
Dá-me a flauta e canta!  
O canto é a força do espírito e o lamento da flauta sobrevive ao apagamento dos sóis

Na floresta não há morte nem apuros.
A alegria não morre quando se vai a primavera. 
O pavor da morte é uma quimera que se insinua no coração.
Pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos. 
Dá-me a flauta e canta! 
O canto é o segredo da vida eterna e o lamento da flauta permanecerá após findar-se a existência.

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Reflexão

Hoje vi a vida nascer do meio da carne pútrida da morte de Samhain. Senti e distingui o aroma de flores no meio do cheiro de sangue.


Hoje vi um feixe de sol iluminando um minimo broto de um arbusto seco. Entendi o que vinha sentindo. Morrigan em sua plenitude invernal, começa a se despedir. É a vez dela morrer e se recolher (eu já morri, mais uma vez).

Começa a levar seu reinado para deixar o reinado de Briga vir. A terra antes morta/adormecida, recebeu as sementes em seu ventre e os guardou na escuridão. 
 
Logo o fogo de Briga, que começa a aquecer a terra trará a tona a vida, fará vivificar as flores, trará a forja de nossas vidas, a cura de nossa feridas e nos banhará em AWEN! 
 
Que a terra desperte lentamente de seu sono ainda sob os dominios de Sanhaim, para fazer as cabrar balirem em Oimelc. Jorrem seu leite na terra! Ganhem vida! Saiam de nossos sonos frios aos poucos e vejam na beira da caverna os raios do sol querendo, petulantes, aquecer as sementes explodiando-as. É hora de tomar força para as flores.
Morrigan, agradeço pelo Sanhaim e a morte de nosso egos e fraquezas, me tornaste um guerreiro mais forte. Foram ensinamentos tão dificeis de aprender dessa vez... acredito que ainda não consigo entendê-los. Ainda tentando sarar as feridas dessa batalha que apenas começou 

Briga, seja bem vinda! Eu tenho vida! Senhora, preciso tanto de ti. Seu fogo que aquece, sua cura que me renova, seu Awen que me inspira. Minha espada está flamejante para continuar o caminho, banhada pelo sangue de Morrighan e brilhante com o Awen de Briga!

Extraído do blog Chwilen
 
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